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Município perde cooperativas por falta de apoio

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Resultado de um projeto de captação de recursos junto ao Governo Federal, elaborado no governo do prefeito João Siqueira e concretizado pelo prefeito Paulo Julião em 2000, São Sebastião implantou várias cooperativas para geração de renda.

Entre elas, as cooperativas de pesca, sucata, cerâmica, costura, mão-de-obra para construção civil e para serviços de hotelaria. Hoje, oito anos depois, apenas duas sobrevivem – pesca e sucata.

“Não deu certo por falta de apoio do poder público”, afirma a ceramista Cida Ivanov, presidente da Cooperativa de Artes (Cooperartes), a última a fechar as portas. “Em maio ainda comemoramos nosso oitavo aniversário, mas já com poucos associados. Hoje estou sozinha. A cooperativa não existe mais”, conta Cida Ivanov. Para fechar oficialmente, só falta realizar os trâmites legais – publicação de edital convocando assembléia para dissolver a entidade, e registro da ata resultante.


Instalada há dois anos no “Abrigo dos Anjos”, no bairro São Francisco, a cooperativa buscava um novo espaço desde o início do ano e não conseguiu. Agora será desativada e Cida se muda de lá. Nos próximos dias abre um atelier individual na vizinha Praça da Figueira.

“O pessoal tem suas necessidades de sobrevivência. Se não consegue vender tem que buscar outros serviços, e então para com a cerâmica. Sem apoio logístico não dá para as cooperativas sobreviverem”, analisa a presidente da Cooperartes que, sozinha, não consegue mais buscar o barro que é comprado em Paraibuna.

A Cooperartes também deixou de participar de feiras e exposições como o “Revelando São Paulo”. Promovido pela Secretaria Estadual de Cultura, este evento é uma grande feira itinerante de artes e artesanato paulista e nele, nos últimos cinco anos, o município foi representado pela cooperativa. “Se não se leva a cerâmica produzida aqui para as feiras e eventos de turismo, como é que os artistas vão conseguir vender?”, indaga.

Polêmica


Cida foi uma das trinta alunas que em 2001 participou do curso com D. Adélia Barsotti, a última paneleira tradicional do bairro São Francisco.

Neste local, no início do século passado, mais de cem pessoas trabalhavam neste ofício. Realizado pelo projeto “Arte que Vale”, uma parceria Sebrae/prefeitura, o curso visava formar novas ceramistas para que a arte de D. Adélia não se perdesse. A mestra morreu dois anos depois, aos 83 anos, e suas alunas formaram então a cooperativa.
O entendimento sobre o que é “Cultura Tradicional”, no entanto, semeou a polêmica sobre o trabalho por questões técnicas. Alguns críticos consideram que Cida não faz “Cerâmica Cultural” porque compra o barro fora daqui e não queima as peças em forno a lenha, como manda a tradição, mas sim em forno a gás.

Ela replica que o que importa é a arte de modelar e não a forma de queimar as peças. “Aqui não temos mais barro, está tudo construído e em terrenos particulares. E não se pode fazer peças utilitárias, panelas onde se cozinha alimentos, com qualquer barro, que pode estar contaminado até por metal pesado, como chumbo. Não dá mais para ter este rigor, ou teríamos que manter a técnica indígena de queimar as peças em fogueiras”, reflete ela.

Cida cita ainda o exemplo dos artesões que trabalham com caixeta, madeira nativa da Mata Atlântica de restinga, leve e macia para se trabalhar. “Estão tendo que comprar a caixeta em Iguape porque aqui não tem mais, e onde tem, o meio ambiente não deixa tirar”, conta.

Apesar das críticas, entretanto, ela pretende seguir em frente. “Vamos continuar porque a cultura não pode se perder, porque dentro da cultura está a história de um povo”, diz. Além de manter as aulas particulares, hoje com 14 alunos, ela faz atendimento terapêutico voluntário a 16 pacientes do Centro de Atenção Psico-Social (CAPS), e aos idosos do Lar Vicentino. Também está iniciando um novo trabalho com 130 alunos da APAE no projeto “A terapêutica da natureza através do barro”, no qual a cerâmica é proposta como atividade terapêutica e também como possibilidade de geração de renda.

Fonte: Imprensa Livre

Rádio São Sebá
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